| Aprendendo a aprender.
Na postagem do dia 22/4/2015 terminei a postagem com a seguinte pergunta: O passado me persegue ou eu persigo o passado?
Hoje vou explorar o que penso poder explicar esta frase.
O passado faz parte de nós, mas não podemos deixar que ele determine a nossa vida. Aprendemos, ou deveríamos aprender, com ele a como não reproduzirmos o que não deu certo ou que acabou da maneira diferente do que esperávamos.
Ou talvez não seja nem uma coisa ou outra. Existe uma relação do que vivemos no passado e o que vivemos no presente. Experiências, vivências , sentimentos e fatos refletem positivamente ou negativamente em nossa vida.Tudo está relacionado e todas as nossas ações (inclusive pensamentos) têm consequências, tanto em âmbito pessoal como no profissional. O que devemos fazer é aprender com o passado, mas não ficarmos presos a ele. Devemos inclusive, tentar viver mais plenamente o momento presente.
O que realmente importa é avaliarmos as nossas ações para que possamos visualizarmos o que realmente for importante no momento para a nossa vida no geral.
"Todo o passado da humanidade contribuiu para fazer o conjunto de máximas que dirigem os diferentes modelos de educação, cada uma com as características que lhe são próprias. As sociedades cristãs da Idade Média, por exemplo, não teriam sobrevivido se tivessem dado ao pensamento racional o lugar que lhe é dado atualmente". (Émile Durkheim)
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domingo, 26 de abril de 2015
Síntese dos filmes Machuca e Quanto vale ou é por kilo?
No
filme Machuca aparecem questões de segregação
sócio-econômica-cultural que são o estopim de várias situações
de conflito nas ruas e na escola.
Na
cena em que o diretor apresenta os novos alunos, estes colocados na
frente da turma com expressões de enfrentamento, vergonha e
inquietação por estar sendo posto em evidencia. Quando um dos
alunos expressa conhecer um dos alunos novos como sendo filho da moça
que lava roupa para sua família. Esta cena deixa clara a distinção
das classes sociais que será instaurada na turma. Mais à frente
aparece a diferença pelos nomes, pois o menino pobre é chamado pelo
sobrenome MACHUCA e o menino rico é chamado pelo seu nome GONZALO.
Quando o aluno, loiro e rico, fala para machuca que os pais estão
fazendo um favor em pagar para eles, proletários, em estudarem na
escola e que agora estão querendo ditar regras mostra a não
aceitação da inclusão dos alunos bolsistas. Na cena em os
estudantes estão na piscina e um dos alunos debocha dos bolsistas,
chamando-os de blusa preta, o padre McEnroe deixa muito claro para
todos os alunos que para ele não há distinção entre eles, mas que
devem respeitar um ao outro. Isto é o mais importante. A maneira
diferente como as crianças são tratadas conforme sua origem fica
evidente quando Gonzalo tem atenção e desejos são realizados sem
nenhum esforço e Machuca tem que ajudar no sustento da sua família
mesmo que para isto tenha que vender bandeiras e cigarros.
A
cena em que eles dividem as latas de leite condensado ou a cena em
que Gonzalo compra pirulito para ele e Machuca ilustra que as
crianças conhecem as diferenças sociais, mas conseguem prosseguir e
socializar minimizando-as a ponto de conviverem pacificamente. Mesmo
que uma faça critica a situação de miserabilidade por parte de uma
camada da sociedade há uma compreensão de a outra não pode ser
responsabilizada pelas ações das pessoas e situações que criaram
essa circunstância social.
A
questão político-social aparece nas crianças excluídas como sendo
um direito que lhe foi negado e que devem lutar para conseguir.
Fazendo um paralelo com as crianças e jovens de agora, consideramos
que essas mesmas ações acontecem. Em 2014 quando iniciou a campanha
de vacinação das meninas contra o HPV na escola onde trabalho as
meninas comentavam que os cartazes da campanha não mostravam meninas
da realidade delas. Quando questionei que realidade era essa elas
colocaram que as roupas e atitudes eram diferentes e que muitas delas
já tinham responsabilidades de cuidar dos irmãos menores. Uma
simples imagem gera questionamentos das crianças e se não
prestarmos atenção e ouvirmos perdemos oportunidades de trabalhar
as diferenças sociais que ainda permanecem em nossa sociedade. Este
comentário foi passado para a supervisão da escola que encaminhou
para os professores das alunas.
Já
no filme Macunaíma, que não apreciei assistir, as mesmas questões
são abordadas com um olhar de esculacho da realidade da época e
atual.
Penso que o nascimento de Macunaíma
retrata o brasileiro que nasce já sem infância, que fica exposto no
mundo buscando sobreviver de qualquer jeito. Muitas vezes ouvimos
“Ele é forte. É guerreiro.”, não consideramos o que está por
trás desta fala. É o filho de mãe solteira que sustenta uma
família inteira, a ausência do pai que traz uma sensação de
abandono, que também a falta de autoridade, já que o pai representa
culturalmente a base da instituição familiar. Mesmo que atualmente
uma parcela das famílias brasileiras sejam sustentadas e organizadas
pela mulher que sai para trabalhar deixando seus filhos sendo
cuidados por outros em escola infantil ou pelo filho mais velho. As
nossas crianças, da classe popular, estão cada vez mais sendo
forçadas a amadurecerem cedo na questão de responsabilidades
familiar, mas ao mesmo tempo estão sendo menos estimuladas gerando
uma geração de crianças com déficit de aprendizagem.
Macunaíma nasce de uma “mulher
macho” que pari um filho. Esta cena retrata a realidade que
vivemos. Um país jovem, cansado e cheio de desejos de ter tudo, sem
ter que realizar nenhum esforço. Podemos ver isso na quase
totalidade política do nosso país onde o mais “esperto” vence o
mais fraco.
Esta
visão conservadora, representa a tradição colonialista que
pressupõe uma supremacia do homem branco sobre os demais grupos e
culturas. Há nesse sentido um esforço em assimilar qualquer
indivíduo aos padrões da classe média branca. As consequências
dessa visão no olhar educacional são percebidas no modelo de
privação / destituição que se centra no aluno, promovendo um
distanciamento do percebimento da realidade de classes e seus efeitos
sobre o processo educacional. Incluindo um afastamento da relação
professor/aluno.
Reconhecer a possibilidade de outras
culturas não quer dizer realizar um esforço para que as mesmas
sejam culturalmente valorizadas e tenham a oportunidade de emergir no
contexto educacional. O excluído é incluído conforme o desejo de
quem o está incluindo.
O contexto educacional torna-se um
mecanismo avassalador/silenciador, principalmente das culturas
populares, vistas como manifestações inferiores que, em relação
ao ambiente educacional, não necessitam ser incluídas no currículo.
Embora já ocorram movimentos de elaboração de currículos que
contemplem essa diversidade sem sobreposição cultural.
Na escola os diálogos culturais, que
acontecem constantemente, ainda têm o caráter de não
reconhecimento do outro mostrando que em nossa educação permanece
características da reprodução social do trabalho ou seja, a
educação é moldada conforme o grupo a qual ela se dirige.
A escola é inserida em uma região
com características geo. econômica-cultural, mas não considera que
a comunidade do seu entorno possui uma cultura formada por diferentes
grupos que foram se alojando neste espaço geográfico. Sendo a
escola de periferia ainda passa por outro processo, que é comum em
comunidades mais pobres, que é o efeito migratório por questões
financeiras ou outros motivos violentos. As diferenças sociais,
relacionadas à linguagem, cultura, costumes, classe, etc., são
vistas como divisão.
A única forma de construir uma
sociedade igualitária é através do consenso, da construção de
uma cultura comum, há não sobreposição de uma à outra cultura.
Considero que ainda não, no todo, mas
em processo, a educação busca uma perspectiva intercultural onde
alguns espaços educacionais, o reconhecimento do outro neste diálogo
entre os diferentes grupos sociais.
Muitas vezes o professor tenta incluir
o seu aluno e sua cultura no contexto escolar, mas no decorrer da
caminhada essa tentativa de aproximação cria uma tensão que acaba
criando uma ruptura nesta tentativa de aproximação. Observo que dos
professores que estão ingressando nas escolas públicas municipais
atualmente uma boa parcela destes acaba desistindo do seu cargo
exonerando-se com um ou dois meses por não estarem preparados para
atuarem em escolas de periferia. Muitos verbalizam que não fizeram
faculdade para aturarem alunos que não tem respeito por ele
professor. A qual respeito estes professores se referem. Ao aluno
permanecer sentado sem movimento e calado durante, no mínimo 50
minutos? Ou ao aluno que não possua senso crítico?
A escola pode ser excludente em
relação ao aluno e também ao professor.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
PORTFÓLIO
DE APRENDIZAGEM
Considero
o portfólio como sendo um organizador de ideias e ações que registramos e
desenvolvemos no decorrer de um determinado tempo. Na sua elaboração, temos a
capacidade de sempre reavaliar o que deixarmos apontado e assim sermos capazes
de reconsiderar e analisar de onde partirmos como pretendemos chegar e como
devemos agir para atingirmos o nosso objetivo.
A maneira
como iremos elaborar o portfólio de aprendizagem será instigante e desafiador, pois
a partir do momento em que formos pesquisar sobre diferentes autores para
usarmos no embasamento às explicações de um fato ou pensamento trabalhado ou
percebido como algo significativo em nossa aprendizagem.
"... Faz parte da natureza da prática docente a
indagação, a busca, a pesquisa. O que se precisa é que, em sua formação
permanente, o professor se perceba e se assume, porque professor, como
pesquisador." (Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia, p.32)
Como
professora estou sempre buscando novas ideias e explorando novas formas que
qualifiquem o meu fazer pedagógico por isso concordo com o pensamento de Paulo
Freire de que quando me percebo como professora estou assumindo uma postura de
pesquisadora e provocadora que tem como objetivo desacomodar os meus alunos. E
o portfólio será o meu diário, a minha carta de amor à educação, o sinal de
fumaça onde poderei sempre resgatar o meu passado para reavaliar como será meu
futuro.
| TRABALHO EM GRUPO.
Hoje comecei o trabalho em grupo com a Rossana. Ficamos enviando o material escrito sobre os filmes: Quanto vale ou é por kilo? e Machuca. No material tentamos agregar as nossas ideias e o que fomos lendo dos textos.
O dois filmes são muito chocantes exatamente por que pude visualizar a realidade em que vivemos. De ambos os filmes que mais me impressionou foi o Quanto vale ou é por kilo? de Sérgio Bianchi que, de uma maneira inteligente, faz uma comparação a dois períodos de nossa história sem perder a consciência da realidade em que vivemos.
Em quanto assistia ao filme, ia anotando algumas ideias e acabei fazendo uma relação muito interessante que pretendo explorar em conjunto :
Mas deixarei uma ideia interessante: O passado me persegue, ou eu persigo o meu passado?
Continuo mais tarde. Fui.
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domingo, 19 de abril de 2015
segunda-feira, 13 de abril de 2015
“... o bom de
se aprender a ler-o-mundo em que se vive é que aos poucos, os nossos medos vão
desaparecendo. Pois a gente só tem medo mesmo é do que não entende.” (Brandão,
2005, p18)
Concorde com Brandão quando ele fala de que só temos medo
daquilo que entendemos, pois eu ao sentar e tentar, tentar e tentar escrever
neste blog comecei avaliar o que estava me impedindo de não visualizar nada que
me houvesse “incomodado” e me desestabilizado a ponto de me tirar da minha zona
de conforto. E realmente, o exercício de
parar refletir e escrever, estava me colocando em uma situação de defesa. Pronto, foi então que compreendi que este
exercício havia me balançado a ponto de buscar refletir sobre mim mesma e a
minha maneira de ser professora.
Não é fácil professora! É mais fácil ser aluna.
Mas no momento em que nos tornamos aluna-professora tudo muda.
Ficamos mais sensíveis, com mais perspectivas do que queremos e o que buscamos
e o desconhecido, mesmo assim o sendo, acaba se tornando um velho conhecido do
nosso tempo e ação de estudante e do nosso tempo e ação docente.
Estou pronta para me aventurar nesta nova fase de minha
vida.
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