Crescer e Perder
Lendo
o texto sobre O direito à tristeza (Contardo Collegaris) postado pela
professora Fabiana de Amorim Marcello da disciplina Infância de 0 a 10 anos,
fiquei refletindo o quanto educadores, pais e adultos, no geral, quando vemos
uma criança triste tentamos sempre encontrar o motivo da sua tristeza e algumas
vezes, no caso de aluno, sempre consideramos que algo de ruim deve estar
acontecendo em casa ou em sua vida que possa estar provocando essa tristeza. É
fácil considerar que a criança não tem nada que possa gerar uma tristeza afinal
ela só brinca, estuda e tem suas necessidades e desejos realizados. Como então,
pode essa criança, se sentir triste e desejar ficar sozinha não querendo
dividir seus lamentos com os adultos.
Realmente,
quando adultos, esquecemos aqueles momentos de nossa infância em que ficávamos
tristes, muitas vezes sem motivo aparente, e que ouvíamos dos adultos a nossa
volta que não tínhamos motivo para tal tristeza.
Mas
tristezas todos sentem!
Se o adulto deseja ficar sozinho para lidar com sua tristeza, alguns adultos
explicam essa atitude desta maneira, por que a criança não pode? Quem determina
o que devemos ou não sentir? Ou melhor, quem foi autorizado a determinar o que
devemos sentir?
Pensando
nisso, é fácil questionar como podemos esperar que a criança cresça e não
perceba que o mundo não é tão cor de rosa, como é colado constantemente pelos
adultos, se quando crescemos vamos descobrindo que a vida é uma constante
escolha que nos leva a ter contato com as inúmeras perdas que vamos sofrendo.
Afinal, perda
é perda e quando a criança tem que optar por sair com seus avós ou ir ao
aniversário de um colega, ela se depara com uma perda que por mais que a
situação escolhida seja boa vai produzir tristeza pelo que irá perder por não
poder fazer as duas situações. E nessa ocasião, ninguém fala do que perdemos,
mas que do que ganhamos. E perder nos deixa tristes por que sempre pensamos no
que deixamos de ganhar, de ter ou de sentir.
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