quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Crescer e Perder


       Lendo o texto sobre O direito à tristeza (Contardo Collegaris) postado pela professora Fabiana de Amorim Marcello da disciplina Infância de 0 a 10 anos, fiquei refletindo o quanto educadores, pais e adultos, no geral, quando vemos uma criança triste tentamos sempre encontrar o motivo da sua tristeza e algumas vezes, no caso de aluno, sempre consideramos que algo de ruim deve estar acontecendo em casa ou em sua vida que possa estar provocando essa tristeza. É fácil considerar que a criança não tem nada que possa gerar uma tristeza afinal ela só brinca, estuda e tem suas necessidades e desejos realizados. Como então, pode essa criança, se sentir triste e desejar ficar sozinha não querendo dividir seus lamentos com os adultos.
        Realmente, quando adultos, esquecemos aqueles momentos de nossa infância em que ficávamos tristes, muitas vezes sem motivo aparente, e que ouvíamos dos adultos a nossa volta que não tínhamos motivo para tal tristeza.
        Mas tristezas todos sentem!
       Se o adulto deseja ficar sozinho para lidar com sua tristeza, alguns adultos explicam essa atitude desta maneira, por que a criança não pode? Quem determina o que devemos ou não sentir? Ou melhor, quem foi autorizado a determinar o que devemos sentir?
      Pensando nisso, é fácil questionar como podemos esperar que a criança cresça e não perceba que o mundo não é tão cor de rosa, como é colado constantemente pelos adultos, se quando crescemos vamos descobrindo que a vida é uma constante escolha que nos leva a ter contato com as inúmeras perdas que vamos sofrendo.
      Afinal, perda é perda e quando a criança tem que optar por sair com seus avós ou ir ao aniversário de um colega, ela se depara com uma perda que por mais que a situação escolhida seja boa vai produzir tristeza pelo que irá perder por não poder fazer as duas situações. E nessa ocasião, ninguém fala do que perdemos, mas que do que ganhamos. E perder nos deixa tristes por que sempre pensamos no que deixamos de ganhar, de ter ou de sentir.

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