RELATO
DE EXPERIÊNCIAS SOBRE LINGUAGEM
Mariângela
Mastalir
Atualmente trabalho como professora alfabetizadora na
turma A15[1],
com 22 alunos, na EMEF João Antonio Satte situada no Bairro Parque dos Mais /
Rubem Berta.
Este ano após solicitações do ano anterior por parte da
supervisão da escola, estou alfabetizando a turma por meio de texto que podem
ser: música, parlenda, histórias coletivas produzidas pelos alunos, cantigas de
roda, receitas culinárias, lista dos nomes dos colegas, lista de ingredientes e
outros.
Se
entendermos que a escrita alfabética é um produto cultural, seguindo as ideias
de Vygotsky, os professores, como membros mais experientes da cultura, devem
auxiliar os alunos a prestar atenção, analisando e refletindo sobre os pedaços
sonoros e escritos das palavras.
Nesse
modelo de alfabetização o aluno vê o texto como um movimento da leitura, mas também
aprende sobre como se dá a escrita e descobre as relações que existem entre a
escrita e a fala, ou seja, seus conhecimentos se ampliarão. O aluno aprenderá
sobre os usos sociais da escrita e os diferentes estilos de organização
textual. Pouco a pouco, será capaz de reconhecer que algumas palavras se
repetem constantemente nos textos trabalhados. E, em determinado momento o
aluno descobrirá que as letras se relacionam com sons e assim o processo estará
completo, unindo o texto à letra.
A aprendizagem por meio
do texto é muito motivadora ao aluno por que dá a impressão de que ele está chegando
ao que interessa: a compreensão de uma mensagem. O texto se torna significativo
para a aprendizagem e permite que o aluno compreenda como se dá a leitura e a
escrita em sua ordem certa. Todo registro da leitura de todas as atividades
deve ser significativa para o aluno. Esse material torna-se elemento de pesquisa
e investigação cotidiana pelo aluno que pode e deve usá-lo como material de
referência para novas aprendizagens. Como essa aprendizagem se dá por estimulo
externo, podemos observar que Vygotsky ao explanava que a aprendizagem é uma
atividade social e que se torna mais eficaz quando há colaboração e intercâmbio
entre o individuo e o ambiente social. Ao incentivar o aluno com texto já
conhecidos, mas apresentados de outra maneira, torna o processo de apreensão da
linguagem mais significativa e, por que não dizer também, mais lúdica.
Para
Piaget, que fez o estudo das estruturas mentais e suas relações, o aluno
compara, classifica e faz deduções sobre as informações apresentadas. Como
estamos constantemente entrando em contato com objetos e os passamos a
compreendê-los em um processo que envolva assimilação e acomodação precisamos
reorganizar nossas estruturas mentais a fim de compreendê-las e assim nos levar
a outro patamar de aprendizagem. Sendo assim, estando em contato com algo já conhecido,
mas apresentado com outra conotação faz com que o aluno reestruture sua
aprendizagem.
Tendo na turma uma aluna com Síndrome de Down inicialmente
observava que essa aluna buscava no meu celular as músicas infantis que
constantemente colocava para os alunos escutarem, e sempre buscava a música do
Sapo que não lava o pé. Então, em função dessa aluna, iniciei o trabalho com
essa música e estamos conversando com uma professora de ciências da escola que
virá explicar como o sapo vive o que come, onde vive e a sua importância para
nossa vida.
Contudo, é importante que esse trabalho assim como os outros
considere a faixa etária dos alunos para que a compreensão do tema abordado se
torne prazeroso e significativo. Como os alunos não precisam ver um sapo
(objeto / real) natural para conversar (imaginário / abstrato) sobre esse
animal. O
fato de os alunos que poderem contar com a ajuda do professor, se envolve e
produz com maior apropriação e de envolvimento com a oralidade. Para os alunos,
significa a confiança, a segurança, naquilo que será dito e o momento deles
participarem das interações expondo e fazendo argumentações.
Referências:
DIFERENTES TEXTOS E
(CON) TEXTOS NA ALFABETIZAÇÃO FLÁVIA FERREIRA DE CASTILHO (UNIGRANRIO), VALÉRIA
MONÇAO VASCONCELLOS (UNIGRANRIO), pág. 02.
Disponível em: http://alb.org.br/arquivo-morto/edicoes_anteriores/anais17/txtcompletos/sem13/COLE_3569.pdf
Disponível
em:
Disponível em: https://moodle.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=1467029
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