sexta-feira, 8 de junho de 2018


RELATO DE EXPERIÊNCIAS SOBRE LINGUAGEM

Mariângela Mastalir

            Atualmente trabalho como professora alfabetizadora na turma A15[1], com 22 alunos, na EMEF João Antonio Satte situada no Bairro Parque dos Mais / Rubem Berta.
            Este ano após solicitações do ano anterior por parte da supervisão da escola, estou alfabetizando a turma por meio de texto que podem ser: música, parlenda, histórias coletivas produzidas pelos alunos, cantigas de roda, receitas culinárias, lista dos nomes dos colegas, lista de ingredientes e outros.

 Se entendermos que a escrita alfabética é um produto cultural, seguindo as ideias de Vygotsky, os professores, como membros mais experientes da cultura, devem auxiliar os alunos a prestar atenção, analisando e refletindo sobre os pedaços sonoros e escritos das palavras.

            Nesse modelo de alfabetização o aluno vê o texto como um movimento da leitura, mas também aprende sobre como se dá a escrita e descobre as relações que existem entre a escrita e a fala, ou seja, seus conhecimentos se ampliarão. O aluno aprenderá sobre os usos sociais da escrita e os diferentes estilos de organização textual. Pouco a pouco, será capaz de reconhecer que algumas palavras se repetem constantemente nos textos trabalhados. E, em determinado momento o aluno descobrirá que as letras se relacionam com sons e assim o processo estará completo, unindo o texto à letra.
A aprendizagem por meio do texto é muito motivadora ao aluno por que dá a impressão de que ele está chegando ao que interessa: a compreensão de uma mensagem. O texto se torna significativo para a aprendizagem e permite que o aluno compreenda como se dá a leitura e a escrita em sua ordem certa. Todo registro da leitura de todas as atividades deve ser significativa para o aluno. Esse material torna-se elemento de pesquisa e investigação cotidiana pelo aluno que pode e deve usá-lo como material de referência para novas aprendizagens. Como essa aprendizagem se dá por estimulo externo, podemos observar que Vygotsky ao explanava que a aprendizagem é uma atividade social e que se torna mais eficaz quando há colaboração e intercâmbio entre o individuo e o ambiente social. Ao incentivar o aluno com texto já conhecidos, mas apresentados de outra maneira, torna o processo de apreensão da linguagem mais significativa e, por que não dizer também, mais lúdica.
Para Piaget, que fez o estudo das estruturas mentais e suas relações, o aluno compara, classifica e faz deduções sobre as informações apresentadas. Como estamos constantemente entrando em contato com objetos e os passamos a compreendê-los em um processo que envolva assimilação e acomodação precisamos reorganizar nossas estruturas mentais a fim de compreendê-las e assim nos levar a outro patamar de aprendizagem. Sendo assim, estando em contato com algo já conhecido, mas apresentado com outra conotação faz com que o aluno reestruture sua aprendizagem.
Tendo na turma uma aluna com Síndrome de Down inicialmente observava que essa aluna buscava no meu celular as músicas infantis que constantemente colocava para os alunos escutarem, e sempre buscava a música do Sapo que não lava o pé. Então, em função dessa aluna, iniciei o trabalho com essa música e estamos conversando com uma professora de ciências da escola que virá explicar como o sapo vive o que come, onde vive e a sua importância para nossa vida.
Contudo, é importante que esse trabalho assim como os outros considere a faixa etária dos alunos para que a compreensão do tema abordado se torne prazeroso e significativo. Como os alunos não precisam ver um sapo (objeto / real) natural para conversar (imaginário / abstrato) sobre esse animal. O fato de os alunos que poderem contar com a ajuda do professor, se envolve e produz com maior apropriação e de envolvimento com a oralidade. Para os alunos, significa a confiança, a segurança, naquilo que será dito e o momento deles participarem das interações expondo e fazendo argumentações.






Referências:
DIFERENTES TEXTOS E (CON) TEXTOS NA ALFABETIZAÇÃO FLÁVIA FERREIRA DE CASTILHO (UNIGRANRIO), VALÉRIA MONÇAO VASCONCELLOS (UNIGRANRIO), pág. 02.
Disponível em:

PPT Vigotsky, Arquivo.                                                                                                      







[1] A15 - Turma do 1º ano do Ensino Fundamental de 9 anos.

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