ALFABETIZAÇÃO
COM CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN
Crianças com síndrome
de Down apresentam dificuldade para escrever em função da hipotonia[1], ligamentos
mais frouxos e falta de força nas mãos contribuem para isso. Considero que por
causa dessa dificuldade é muito importante preparar a criança para a ação de
escrever e de ler. Mas antes de escrever a criança deve ser estimulada com
diversos materiais.
Após
o período de sondagem, observei com a aluna com SD[2] não
reconhecia seu nome, não identifica a letra inicial do nome como M de Mirela e
seu interesse em aprender se resumia a observar e mexer no material dos seus
colegas. Além disso, a aluna apresentava atitudes, fugir da aula e caminhar
pela escola ou se dirigir para outro setor conforme a sua vontade, que
reforçavam a necessidade de trabalhar limites. Foram necessárias muitas
intervenções e várias conversas com a aluna sobre não sair da sala sem
autorização da (o) professor e em relação ao material dos colegas não mexer.
Trabalhar a palavra NÃO explicando o porquê do não.
Mas
voltando as atividades após ler alguns materiais e conversando com uma colega
da escola que tem um filho com Down, optei em usar uma bandeja com areia que
recolhi do pátio da escola. Mas inicialmente, Mirela não gostava de colocar o
dedo na areia demonstrava aversão à textura e ficava limpando o dedo
constantemente na roupa demonstrando que a sujar o dedo a incomodava. Resolvi
trocar a caixa, ou melhor, aposentei temporariamente a caixa de areia e resolvi
investir na massinha de modelar de areia. Novamente Mirela apresentou aversão
ao material. Para incentivá-la a usar esse material adquiri algumas forminhas
de biscoito e um pequeno rolo de massa e ficávamos brincando de fazer biscoito
para a mamãe e a vovó. Ela foi brincando e como agregamos alguns colegas que a
incentivaram ela começou a aceitara manipular esse material. No texto que li
para a interdisciplinar da EJA, Alfabetização – Leitura do Mundo, Leitura da
Palavra – e Letramento: Algumas aproximações, aonde aparecem os princípios
fundantes na alfabetização de adultos resgatei o 5º principio que coloca que “o
diálogo como caminho de conhecimento deve caracterizar a prática da
alfabetização” reforça qualificativamente o quanto se faz necessário à prática
da conversa com a criança, independente de ter ou não Síndrome de Down, para
robustecer positivamente a eloquência das conversas.
“As
pessoas com SD, assim como as populações “normais” precisam de um ambiente que
estimule a aprendizagem, proporcionando conhecimento significativo para seu
desenvolvimento cognitivo. Por isso é de fundamental importância que as pessoas
com essa síndrome frequentem, o quanto antes, uma escola de inclusão, para que
não ocorra comprometimento no seu desenvolvimento global e no processo de
aprendizagem” (ENSAIOS PEDAGÓGICOS,
Revista Eletrônica do Curso de Pedagogia das Faculdades OPET– dezembro de 2015)
Considerando a necessidade e
obrigatoriedade da Mirela estar frequentando a escola vários ajustes na prática
das ações pedagógicas foram sendo testados e adaptados e até mesmo readaptados,
como os citados a cima, para inserir a aluna no contexto escolar sem
discriminá-la ou reforçar o fato de ser uma criança NEE.
Caixa de Areia com vogais em EVA.
Com
isso, atualmente Mirela já aceita usar a caixa de areia, tirei da
aposentadoria, e ela com seu traçado ainda um pouco desorganizado, ela vai
traçando as vogais, que já as reconhece e associa algumas palavras como A de
abacaxi, E de elefante, I de índio, O de ovo, U de uva. Ela sempre lembra
quando fala as palavras que gosta muito
de comer ovo, abacaxi e uva. Ela reconhece as vogais e conforme o dedo vai
traçando as letras na areia, vai nomeando as letras e associando-as as palavras
e objetos como já citado.
Referência:
Hipotonia. Disponível em:
Gollo de Moraes, Mariléia. Alfabetização
– Leitura do Mundo, Leitura da Palavra – e Letramento: Algumas aproximações.
Disponível em:
O
processo de alfabetização do aluno com Síndrome de Down na escola inclusiva nos
anos iniciais do Ensino Fundamental. Disponível em:
[1] Hipotonia
é um termo médico que pretende caracterizar a diminuição do tônus muscular.
[2] SD
– Síndrome de Down.

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