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sexta-feira, 21 de junho de 2019


Revisitando o blog em 18 de junho de 2018


TRABALHANDO COM A CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA

            O interesse em compreender a complexidade do processo de aprendizagem da leitura e da escrita, bem como a partir de observações que tenho feito durante a minha trajetória como professora alfabetizadora, impulsionou-me a buscar aprimorar meu entendimento sobre o assunto, visto que temas como consciência fonológica e concepções de língua e de linguagem são premissas fundamentais para um trabalho aprimorado com as competências linguísticas na alfabetização. Trabalhar com a consciência fonológica com uma aluna com SD[1] foi muito importante, pois pude avaliar os passos usados e verificar os pontos positivos e negativos desse trabalho.
            Quando trazemos à criança novas possibilidades de como apoderar-se do mundo letrado, estamos possibilitando que ela crie uma simbiose com o processo. Essa aluna fez no decorrer do ano letivo de 2018 um grande desenvolvimento.
            Desde deste ano, tenho um estagiário de inclusão na sala que acompanhou, e acompanha todo esse trabalho desde 2018. Durante uma conversa ele colocou o quanto seria importante que a faculdade de letras juntasse a teoria com a prática de sala de aula. Ele está conseguindo visualizar como se dá o processo da aquisição da escrita e da leitura por meio desse método por estar trabalhando em uma turma de primeiro ano.
            Trago novamente a mesma ideia do texto: CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA E A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM ESCRITA: RELAÇÕES E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA
 “A outra perspectiva são as situações lúdicas e jogos com palavras que permitem a exploração da dimensão sonora e gráfica. As crianças brincam com as palavras sem que para isso tenham que treinar consciência fonêmica ou famílias silábicas. Os jogos com palavras fazem parte das práticas de leitura e de escrita do dia a dia escolar.
           
            O lúdico está e sempre deverá estar inserido no trabalho de alfabetização, pois é por meio dele que os alunos vão desenvolvendo suas potencialidades.
            Portanto, a importância da consciência fonológica se insere no fato de preparar a criança para o processo de decodificação da língua por meio do estudo de grafemas, sons, sílabas e palavras, a partir de uma concepção mais dialógica e aberta sempre a novas descobertas e reflexões. Neste sentido, o sucesso dos primeiros passos da leitura e da escrita, depende inclusive, de um determinado nível de consciência fonológica adquirido anteriormente pela criança, seja de maneira formal ou informal e que inicia com a oralidade.




[1] SD – Síndrome de Down.

sexta-feira, 14 de junho de 2019


Revisitando o blog de sexta-feira, 27 de abril de 2018.

             Nessa postagem pude rever o planejamento que estava estruturando em relação a aluna com SD que estava inserida na turma.
            Hoje faça uma reflexão sobre essa postagem e percebo que muito que havia planejado consegui colocar na prática. Inclusive de integrá-la a rotina e as atividades que a turma realizava. Claro que essas atividades eram exploradas de outra maneira conforme a compreensão que a aluna tinha referente ao tema.
Durante o ano de 2018, houve um avanço significativo da aluna em relação a sua aprendizagem.
Na linguagem oral houve um avanço articulação das palavras ficou mais clara. Quando a aluna recebeu o telefone fônico, observou-se que havia uma preocupação em repetir corretamente a articulação da palavra. Observou-se que a relação letra (vogais e algumas consoantes significativas), figura e palavra ampliaram-se. Com isso percebe-se que houve um avanço em seu vocabulário. Está mais falante e já manifesta seus desejos e ansiedades.
Na área logico-matemática que não ocorreu um avanço significativo. A aluna conta e quantifica até o número três embora em alguns momentos ela alterna a sequencia a partir do número dois. Ela sabe diferenciar as palavras no seu significado: em cima /embaixo, perto / longe, aqui / ali, mais / menos, grande / pequeno, demostrando um bom domínio de noção espacial.
A aluna fez uso do caderno com linha e todos os dias a partir de outubro ela passou a registrar a data do dia no caderno. Não é uma simples copia do que tem no quadro, mas é o registro por meio de palitos, bolinhas e outro símbolo que caracterize esse registro. Foi conversado com a professora da SIR, Paloma, o quanto esse registro diário estava sendo significativo para a aluna que inclusive passou a copiar o quadro do registro diário da quantidade de alunos presentes. Além desse registro realizava o traçado das palavras Porto Alegre e já identificava as palavras pela letra inicial.
As atividades desenvolvidas para a aluna sempre foram adaptadas ou preparadas especificamente conforme o objetivo pedagógico do momento da sua aplicação. As tarefas iguais aos colegas sempre tiveram adaptações que respeitassem o seu desenvolvimento cognitivo. Nos momentos em que termina suas atividades tem preferência por manusear livros, jogos envolvendo letras ( principalmente as vogais) e massinha de areia.

sexta-feira, 12 de abril de 2019


Comentário sobre a postagem de sexta-feira, 22 de junho de 2018.

TECNOLOGIAS EM SALA DE AULA


“Para aprender é preciso mexer, é preciso agir, pensar sobre, tentar fazer diferente, estabelecer relações, discutir com outras pessoas que utilizam essa tecnologia, é preciso tentar criar algo e buscar em diferentes tecnologias elementos que ajudem você a concretizar o seu objetivo.” (O trabalho do o professor e o mundo da escola novas tecnologias, pág. 41 da revista Digital)

          O aluno sempre está disponível para usar as tecnologias que estão a sua disposição. Ele muitas vezes tornasse o mestre ao ensinar maneiras diferentes de manusear as tecnologias em sala.
             Este ano tenho um aluno com Espectro Autista que já está alfabetizado, mas que no aspecto social ainda necessita aprender a jogar junto com outro colega e a dividir o objeto de jogo.
          Alguns autores consideram que a criança é “nativa”, enquanto nós, adultos, somos “imigrantes”, ou seja, elas compreendem e tem mais facilidade para adquirirem novos conhecimentos e de acompanharem as tecnologias que forem sendo criadas.
Num mundo cada vez mais marcado pela tecnologia, é fácil encontrar crianças que ainda não sabem nem amarrar os sapatos navegando na internet e usando smartphones ou tablets. Mas será que essa inserção tão precoce no mundo da tecnologia é benéfica para os pequenos?
Assim como todo o corpo da criança, o cérebro infantil também está em constante desenvolvimento. Novas conexões são formadas a cada instante, e o modo como essa construção se dá é fundamental para o resto da vida de um ser humano.
Sem substituir outras relações, como o contato pessoal e o afeto, jogos e outras atividades interativas são excelentes estimulantes para os pequenos cérebros em desenvolvimento.
Ao ampliar as potencialidades do cérebro com mais rapidez, devido aos estímulos fortes e constantes, a criança desenvolve uma mente mais aberta e apta a aprender com facilidade sobre diversos assuntos e de diferentes formas. É um crescimento proporcional: quanto mais se aprende, mais facilidade e interesse se têm pelo aprendizado.
          A tecnologia e aprendizagem andam juntas, pois, uma completa a outra e a tecnologia traz novidades que fortaleceram a aprendizagem.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018


REVISITANDO O BLOG Nº 08

            Olhando o blog cheguei na postagem do dia, 23 de outubro, https://mariangelamastalir.blogspot.com/2015/10/na-disciplina-de-alfabetizacao-tarefa.html , pude rever algumas ideias que escrevi sobre o método Consciência Fonológica.
            Esse ano,  estou realizando um curso on line das Boquinhas e pesquisei algumas ações que pudesse contribuir para aprendizagem dos alunos do primeiro ano com o qual trabalho. Mas o mais importante é o de qualificar meu trabalho, pois há na turma uma aluna com SD[1] que está repetindo o primeiro ano pela segunda vez. 
            Quando reli o que havia escrito sobre consciência fonológica, fiquei impressionada o quanto retrato vagamente sobre o assunto. Deixei de colocar que a fala diária do aluno, com muitos vícios de linguagem ou a pobreza do seu vocabulário podem influenciar o seu envolvimento nas atividades de ouvir o som e o repetir. O som da letra não é garantia de aprendizado. As crianças podem apresentar dificuldades. Elas tendem a mostrar problemas na hora de juntar as letras. A letra é somente um dos aspectos que a criança aprende.
            Lidamos com o vicio de linguagem que os alunos trazem  e tentamos mudá-lo e ao mesmo tempo praticamos a alfabetização trazendo que a maneira de falar deles está errada. É complicado quando o aluno traz jargões usados em casa par descrever situações corriqueiras da sua vida como o pai que está preso, o irmão que foi preso e a ausência da mãe. Na realidade eu não estou só alfabetizando o meu aluno, mas também estou sendo alfabetizada por ele e nesse caminho que nos encontramos que uso a consciência fonológica.
            A partir de uma perspectiva mais ampla, o desenvolvimento da linguagem depende da interação entre os sujeitos. O conhecimento linguístico vai se construindo desde o nascimento, nos diálogos e partilhas da criança com o adulto. Deste modo, é importante que no cotidiano escolar, haja estimulação e interação, no intuito de dar oportunidade aos alunos para ampliar a capacidade de comunicação oral por meio de conversas, discussões, comentários, relatos, músicas, escuta e reconto de histórias, como também jogos e brincadeiras.
Soares (2001, p.53) salienta que,
A criança aprende a escrever agindo e interagindo com a língua, experimentando escrever, ousando escrever, fazendo uso de seus conhecimentos prévios sobre a escrita, levantando e testando hipóteses sobre as correspondências entre o oral e os escritos, independentemente de uma sequência e progressão dessas correspondências que até então eram impostas a ela, como controle do que ela podia escrever, porque só podia escrever depois de já ter "aprendido".




Referência:
SOARES, Magda Becker. Alfabetização e letramento. 2. ed.São Paulo: Contexto, 2001.



[1] Sd – Síndrome de Down.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018


REVISITANDO O BLOG Nº 06

Revisando o blog em 2015, encontrei a postagem do dia 04 de abril, sábado, https://mariangelamastalir.blogspot.com/2015/04/nao-e-no-silencio-que-os-homens-se.html  encontrei a postagem onde coloquei o seguinte  pensamento de Freire:


“Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação reflexão.”
”O educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educado”.
                                                                                                     
            Considero que sendo no inicio do curso colocar um pensamento de Paulo Freire sem colocar a sua referência foi uma escrita muito pobre e provavelmente foi somente para estar com o blog em dia. Voltando fui pesquisar a referencia de cada pensamento de Paulo Freire.

“Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação reflexão.”


”O educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educado”.


Relendo essas frases, considero que como Freire estabeleceu alfabetização como uma ação de vida, porém dentro de uma visão com simplicidade e transparência, acessível ao olhar do trabalhador, condizente com sua realidade e dentro do contexto conhecido desse aprendiz. Seu método mostra que ensinar e aprender são lados de uma mesma moeda e que, portanto não há que se terem hierarquias no aprendizado, mas companheiros.

Freire coloca que ensinar exige ética e estética, segurança na argumentação e competência para que o resultado efetivo desse processo de ensinar e aprender tenha como resultado a intervenção no mundo. Para Freire não basta que se saiba ler e escrever é preciso que se entenda o que se aprende e que a educação seja de real sentido, pois assim haverá alfabetização e letramento.


Referência:

Freire, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, p.78 e p. 96.





quarta-feira, 31 de outubro de 2018




REVISITANDO O BLOG Nº 02

Revendo o blog do dia 25 de dezembro de 2016, domingo, (mariangelamastalir.blogspot.com/2016/12/festadas-bruxas-brasileira.html) tive a oportunidade de rever o quanto a minha visão de um planejamento coletivo mudou.

Estando realizando o estágio no turno da noite na EJA, tive o prazer de em conjunto com os professores planejar a noite de halloween desde o jantar até a apresentação de um vídeo onde foi explanadas a origem da festa e a sua comercialização. Além disso, os alunos puderam ver o por que uma festa infantil invadiu o universo adulto com mais sensualidade.

A língua é viva e está em constante evolução: gírias, dialetos, estrangeirismos, tudo faz parte dela. Sendo assim, o ensino da língua demanda que os professores procurem ou aprimorem suas informações e faça pesquisa sobre as diferentes linguagens para que, junto com o aluno, exercite sendo ela, ou não, a sua linguagem materna. Esta maneira de fazer e  auxilia que o estudante a domine e, a use da melhor maneira possível, tornando as aulas de Português agradáveis e proveitosas.
Ainda Freire fala da leitura relacionada com a leitura de mundo que todos nós devemos ter enquanto seres sociais:

Ler é algo mais criador do que simplesmente ou ingenuamente “passear” sobre as palavras. (...) “Ler e escrever a palavra só nos fazem deixar de ser sombra dos outros quando, em relação dialética com a “leitura do mundo”, tem que ver com o que chamo a “re- escrita” do mundo, quer dizer com sua transformação.

 Sabemos o quanto ato de ler é importante como fator de construção do sujeito na sociedade; a leitura deve ser sentida como necessidade do ser humano e que é uma ação que acontece aos poucos, a qual deve ser exercitada desde cedo. Que dependendo do conhecimento do leitor assim ele construir á seu significado para o que ler. Portanto, a bagagem de conhecimento trazida pelo leitor o auxiliará na compreensão e na relação com a realidade do mesmo. Para Freire a leitura do mundo vem antes da leitura da palavra. 

Referência:

FREIRE, Paulo. A Importância do ato de ler . 4ª ed. São Paulo: Cortez. 2005.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

TRABALHANDO COM A CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA

            No dia 27 de abril de 2018, minha aluna com SD[1]descobriu que ao colocar sua mão no meu pescoço ela poderia sentir as vibrações quando eu repetia a palavra. Sua atenção quando estava aprendendo as vogais ficou muito centralizada na letra A. Tudo era essa letra para a aluna. Quando apresentava outra vogal ela sempre falava primeiro que era a letra A.




Por considerar que era necessário que a aluna tivesse a possibilidade de escutar outras palavras que iniciassem com as vogais fui apresentando várias imagens diferentes para cada vogal sempre reforçando o som de cada vogal inicial das palavras. Fui buscando palavras que possuíssem imagens e que tivessem significado para a aluna.

A – AVIÃO, ANEL, ÁRVORE, ABACAXI, ÁGUA, ABACATE, ABELHA;
E – ELEFANTE, ESCOVA, ESCADA, ESPELHO, ESMALTE;
I – ÍNDIO, IOIO, IOGURTE;
O – OVO, OLHO, ORELHA, ÔNIBUS, ÓCULOS;
U – UVA, URSO, UNHA.

            Foram usados diversos materiais diferenciados para que a aluna pudesse “sentir” as letras com o seu corpo. Usei uma caixa de areia onde a aluna reproduzia a letra apresentada oralmente visualmente na areia.
Além dessa atividade foi usada a música das vogais onde a aluna e seus colegas usando o corpo reproduziam as vogais. Essa atividade foi realizada com a música do Grupo Trii com a música A E I O U. Ela adorou poder fazer os movimentos e falar o som das vogais.
Outras atividades foram sendo inseridas conforme a caminhada da aluna.

Usando o jogo o som das letras, a aluna tinha que identificar à letra correspondente a gravura apresentada e depois de outra maneira ela deveria identificar à gravura correspondente a letra.




            No texto: CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA E A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM ESCRITA: RELAÇÕES E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA, concordo com a  seguinte ideia:

 “A outra perspectiva são as situações lúdicas e jogos com palavras que permitem a exploração da dimensão sonora e gráfica. As crianças brincam com as palavras sem que para isso tenham que treinar consciência fonêmica ou famílias silábicas. Os jogos com palavras fazem parte das práticas de leitura e de escrita do dia a dia escolar.

          Quanto mais introduzirmos o lúdico no ato de aprender maior será o significado desse processo para a criança. Conforme fui adaptando as atividades para o nível de compreensão da aluna, pude constatar que ela aprecia e demonstra maior significado quando essas atividades vêm por meio de ações pedagógicas por onde permeia o lúdico.

          Esse trabalho apresentou resultado no dia 20 de junho quando a aluna ao realizar uma atividade de ligar a vogal ao desenho a realizou tranquilamente identificando o desenho e sua letra.








[1] SD – Síndrome de Down.

            



Referência:
Grupo Triii. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=IFm3SRDPZ60
CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA E A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM ESCRITA: RELAÇÕES E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA. Disponível em: 







sexta-feira, 8 de junho de 2018


RELATO DE EXPERIÊNCIAS SOBRE LINGUAGEM

Mariângela Mastalir

            Atualmente trabalho como professora alfabetizadora na turma A15[1], com 22 alunos, na EMEF João Antonio Satte situada no Bairro Parque dos Mais / Rubem Berta.
            Este ano após solicitações do ano anterior por parte da supervisão da escola, estou alfabetizando a turma por meio de texto que podem ser: música, parlenda, histórias coletivas produzidas pelos alunos, cantigas de roda, receitas culinárias, lista dos nomes dos colegas, lista de ingredientes e outros.

 Se entendermos que a escrita alfabética é um produto cultural, seguindo as ideias de Vygotsky, os professores, como membros mais experientes da cultura, devem auxiliar os alunos a prestar atenção, analisando e refletindo sobre os pedaços sonoros e escritos das palavras.

            Nesse modelo de alfabetização o aluno vê o texto como um movimento da leitura, mas também aprende sobre como se dá a escrita e descobre as relações que existem entre a escrita e a fala, ou seja, seus conhecimentos se ampliarão. O aluno aprenderá sobre os usos sociais da escrita e os diferentes estilos de organização textual. Pouco a pouco, será capaz de reconhecer que algumas palavras se repetem constantemente nos textos trabalhados. E, em determinado momento o aluno descobrirá que as letras se relacionam com sons e assim o processo estará completo, unindo o texto à letra.
A aprendizagem por meio do texto é muito motivadora ao aluno por que dá a impressão de que ele está chegando ao que interessa: a compreensão de uma mensagem. O texto se torna significativo para a aprendizagem e permite que o aluno compreenda como se dá a leitura e a escrita em sua ordem certa. Todo registro da leitura de todas as atividades deve ser significativa para o aluno. Esse material torna-se elemento de pesquisa e investigação cotidiana pelo aluno que pode e deve usá-lo como material de referência para novas aprendizagens. Como essa aprendizagem se dá por estimulo externo, podemos observar que Vygotsky ao explanava que a aprendizagem é uma atividade social e que se torna mais eficaz quando há colaboração e intercâmbio entre o individuo e o ambiente social. Ao incentivar o aluno com texto já conhecidos, mas apresentados de outra maneira, torna o processo de apreensão da linguagem mais significativa e, por que não dizer também, mais lúdica.
Para Piaget, que fez o estudo das estruturas mentais e suas relações, o aluno compara, classifica e faz deduções sobre as informações apresentadas. Como estamos constantemente entrando em contato com objetos e os passamos a compreendê-los em um processo que envolva assimilação e acomodação precisamos reorganizar nossas estruturas mentais a fim de compreendê-las e assim nos levar a outro patamar de aprendizagem. Sendo assim, estando em contato com algo já conhecido, mas apresentado com outra conotação faz com que o aluno reestruture sua aprendizagem.
Tendo na turma uma aluna com Síndrome de Down inicialmente observava que essa aluna buscava no meu celular as músicas infantis que constantemente colocava para os alunos escutarem, e sempre buscava a música do Sapo que não lava o pé. Então, em função dessa aluna, iniciei o trabalho com essa música e estamos conversando com uma professora de ciências da escola que virá explicar como o sapo vive o que come, onde vive e a sua importância para nossa vida.
Contudo, é importante que esse trabalho assim como os outros considere a faixa etária dos alunos para que a compreensão do tema abordado se torne prazeroso e significativo. Como os alunos não precisam ver um sapo (objeto / real) natural para conversar (imaginário / abstrato) sobre esse animal. O fato de os alunos que poderem contar com a ajuda do professor, se envolve e produz com maior apropriação e de envolvimento com a oralidade. Para os alunos, significa a confiança, a segurança, naquilo que será dito e o momento deles participarem das interações expondo e fazendo argumentações.






Referências:
DIFERENTES TEXTOS E (CON) TEXTOS NA ALFABETIZAÇÃO FLÁVIA FERREIRA DE CASTILHO (UNIGRANRIO), VALÉRIA MONÇAO VASCONCELLOS (UNIGRANRIO), pág. 02.
Disponível em:

PPT Vigotsky, Arquivo.                                                                                                      







[1] A15 - Turma do 1º ano do Ensino Fundamental de 9 anos.

sexta-feira, 1 de junho de 2018



LER É COISA DE CRIANÇA.


Não é novidade, todos sabem, mas nem todos colocam em prática: ler precisa ser coisa de criança, porque a leitura é um hábito que, quanto mais cedo se adquire, mais e melhor será cultivado ao logo da vida.
Ler é a porta de acesso a conhecimento e a informações, mas para ajuda a criança a interpretar o mundo, desenvolvendo o senso crítico, tornando-se um cidadão mais consciente e com a mente aberta às novidades e as inovações do mundo.
Acontece que, como tudo na vida de uma criança, ler não pode ser obrigação, para que o hábito da leitura não fique associado a algo chato ou enfadonho. Ler tem que ser prazeroso, tem que ter muito mais a ver com brincar do que com estudar.
         Crianças são muito engajadas. Quando elas tomam gosto por alguma atividade, empenham-se muito nessa nova atividade.
De acordo com Freire, 1994, p.12: O aprendizado é em última instância solitário, embora se desenvolva na convivência com os outros e com o mundo. O mesmo autor continua dizendo: (...) a decifração da palavra fluía naturalmente da leitura do mundo particular (...) fui alfabetizado no chão do quintal da minha casa, à sombra das mangueiras, com palavras do meu mundo e não do mundo dos meus pais. O chão foi o quadro-negro; gravetos o meu giz. Por isso, é que ao chegar à escolinha particular de Eunice Vasconcelos (...) já estava alfabetizado.

“Quem contar uma história deve conhecê-la considerando o momento, a fase, em que as crianças estão vivendo. Ao ler uma história, devem-se evitar as descrições imensas e cheias de detalhes, pois se deve deixar o campo aberto para o imaginário da criança; usar as possibilidades da voz, falar baixinho quando o personagem fala também; aumentar a voz quando houver algazarra, enfim, valorizar cada momento da história transmitindo a emoção que a criança espera”. (A importância da Literatura na Educação Infantil1 MILIAVACA, Rosangela da Rosa, pág. 07)

            Concordo com Rosangela quando ela fala sobre o quanto é importante que o professor conheça a história antes de ler para a criança. Conhecendo a história, o professor pode adequar a voz para cada personagem dando vida e assim envolvendo a criança no mundo imaginário da literatura.
Mirela adora quando acontecem os momentos de leitura na sala. Na hora da história, Mirela sempre fica observando  e do seu jeito repete a palavra que for pronunciada com maior ênfase ou quando alguma parte for engraçada dá gargalhadas e fica repetindo oralmente, em alguns momentos usa o corpo para representar a cena, a cena que foi engraçada.
 Em um dia, Mirela resolveu pegar um livro e contar uma história para seus colegas que no momento estavam em uma atividade livre.




Referência:
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro. Ed. Paz e Terra..
Disponível em:
A importância da Literatura na Educação Infantil1 MILIAVACA, Rosangela da Rosa. Disponível em:








sexta-feira, 11 de maio de 2018


ALFABETIZAÇÃO COM CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN

Crianças com síndrome de Down apresentam dificuldade para escrever em função da hipotonia[1], ligamentos mais frouxos e falta de força nas mãos contribuem para isso. Considero que por causa dessa dificuldade é muito importante preparar a criança para a ação de escrever e de ler. Mas antes de escrever a criança deve ser estimulada com diversos materiais.
Após o período de sondagem, observei com a aluna com SD[2] não reconhecia seu nome, não identifica a letra inicial do nome como M de Mirela e seu interesse em aprender se resumia a observar e mexer no material dos seus colegas. Além disso, a aluna apresentava atitudes, fugir da aula e caminhar pela escola ou se dirigir para outro setor conforme a sua vontade, que reforçavam a necessidade de trabalhar limites. Foram necessárias muitas intervenções e várias conversas com a aluna sobre não sair da sala sem autorização da (o) professor e em relação ao material dos colegas não mexer. Trabalhar a palavra NÃO explicando o porquê do não.
Mas voltando as atividades após ler alguns materiais e conversando com uma colega da escola que tem um filho com Down, optei em usar uma bandeja com areia que recolhi do pátio da escola. Mas inicialmente, Mirela não gostava de colocar o dedo na areia demonstrava aversão à textura e ficava limpando o dedo constantemente na roupa demonstrando que a sujar o dedo a incomodava. Resolvi trocar a caixa, ou melhor, aposentei temporariamente a caixa de areia e resolvi investir na massinha de modelar de areia. Novamente Mirela apresentou aversão ao material. Para incentivá-la a usar esse material adquiri algumas forminhas de biscoito e um pequeno rolo de massa e ficávamos brincando de fazer biscoito para a mamãe e a vovó. Ela foi brincando e como agregamos alguns colegas que a incentivaram ela começou a aceitara manipular esse material. No texto que li para a interdisciplinar da EJA, Alfabetização – Leitura do Mundo, Leitura da Palavra – e Letramento: Algumas aproximações, aonde aparecem os princípios fundantes na alfabetização de adultos resgatei o 5º principio que coloca que “o diálogo como caminho de conhecimento deve caracterizar a prática da alfabetização” reforça qualificativamente o quanto se faz necessário à prática da conversa com a criança, independente de ter ou não Síndrome de Down, para robustecer positivamente a eloquência das conversas.
“As pessoas com SD, assim como as populações “normais” precisam de um ambiente que estimule a aprendizagem, proporcionando conhecimento significativo para seu desenvolvimento cognitivo. Por isso é de fundamental importância que as pessoas com essa síndrome frequentem, o quanto antes, uma escola de inclusão, para que não ocorra comprometimento no seu desenvolvimento global e no processo de aprendizagem” (ENSAIOS PEDAGÓGICOS, Revista Eletrônica do Curso de Pedagogia das Faculdades OPET– dezembro de 2015)

            Considerando a necessidade e obrigatoriedade da Mirela estar frequentando a escola vários ajustes na prática das ações pedagógicas foram sendo testados e adaptados e até mesmo readaptados, como os citados a cima, para inserir a aluna no contexto escolar sem discriminá-la ou reforçar o fato de ser uma criança NEE.

Caixa de Areia com vogais em EVA.


Com isso, atualmente Mirela já aceita usar a caixa de areia, tirei da aposentadoria, e ela com seu traçado ainda um pouco desorganizado, ela vai traçando as vogais, que já as reconhece e associa algumas palavras como A de abacaxi, E de elefante, I de índio, O de ovo, U de uva. Ela sempre lembra quando fala as palavras que  gosta muito de comer ovo, abacaxi e uva. Ela reconhece as vogais e conforme o dedo vai traçando as letras na areia, vai nomeando as letras e associando-as as palavras e objetos como já citado.

Referência:
Hipotonia. Disponível em:
Gollo de Moraes, Mariléia. Alfabetização – Leitura do Mundo, Leitura da Palavra – e Letramento: Algumas aproximações. Disponível em:
O processo de alfabetização do aluno com Síndrome de Down na escola inclusiva nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Disponível em:




[1] Hipotonia é um termo médico que pretende caracterizar a diminuição do tônus muscular.
[2] SD – Síndrome de Down.

sexta-feira, 4 de maio de 2018


                 Ao ler os textos da tarefa da interdisciplinar da EJA sobre alfabetização, acabei levantando algumas questões referentes à como se dá a alfabetização com crianças dom Síndrome de Down. Como a criança escuta o som das letras?  Como acontece o raciocínio referente à associação de imagens com a letra trabalhada?  O quanto à criança necessita ser estimulada, com reforço positivo, para memorizar o aprendido?
                A alfabetização não é um processo de memorização decodificação de palavras que estão escritas em um papel. É um ato de conhecimento, que desenvolve habilidades pedagógicas, e de análise critica do mundo, onde o alfabetizando é sujeito ativo do e no processo de alfabetização (FREIRE, 1994, p. 163 apud BORGES, 2016). É uma construção social que permite a ampliação das possibilidades de vida e de liberdade humana. Ao mencionar liberdade, é possível relacionar com o conceito empoderamento,  um ato social e político que está profundamente ligado com a conscientização.
O diálogo oportuniza uma intercomunicação, o que gera a crítica e a problematização, pois os sujeitos que participam desse diálogo podem, ou melhor, devem questionar replicar, avaliar, aprender e ensinar. Paulo Freire coloca a palavra como mais que um meio para que o diálogo se efetue.
A palavra deve ser constituída de ação e reflexão. Sem a ação, perde-se a reflexão e a palavra fica solta ao vento, sem significado e com isso ela perde sua força e sua expressividade.  Por outro lado, quando a ação fica sem reflexão, transforma-se em um mero reflexo sem sentido e sem significado tornando-se obsoleta e desconectada do contexto.



Referência:
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 3. ed. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1983, p.22.)

sexta-feira, 6 de abril de 2018


Direitos Iguais? Necessidades diferentes?

            Trabalhando com uma aluna com SD[1] procurei pesquisar alguns pontos que considero relevante para qualificar minha ação pedagógica com essa aluna. 
A escola deve ser um importante segmento social que contribui para o desenvolvimento da criança com Síndrome Down, favorecendo o descobrimento de novas conquistas, estímulo para a linguagem oral e escrita, a comunicação e expressão. Mas tornou-se um desafio na atualidade trabalhar as diferenças, as potencialidades e necessidades individuais dos alunos com NEE, sendo um processo constante na transformação e envolvimento dos educadores da escola de ensino regular que inclua essa clientela na sociedade educativa, visto que a lei exige escola de qualidade para todos.
Mas essa qualidade está, no meu ponto de vista, em alguns aspectos longe de existir na quase totalidade das escolas públicas.
Na escola em que trabalho nas em quase todas as turmas do 1º Ciclo tem no mínimo um aluno com NEE sendo que a escola tem 14 turmas nesse ciclo e em algumas, como na minha turma, tem mais alunos.
Pois bem o trabalho é muito lindo, mas como explorar as potencialidades desses alunos tendo mais 20 ou 22 alunos para contemplar sem um recurso humano para te auxiliar em sala nos momentos que precisa trabalhar as particularidades desses alunos?


“Freire (1986) afirma que o diálogo entre as pessoas com SD são capazes de abrir as possibilidades de pensar sobre a sua própria realidade. O diálogo gera uma reflexão conjunta muito importante: “o que sabemos e o que não sabemos” para atuar nessa realidade. Ele não deve ser visto como uma técnica para adquirir resultados, mas fecha o relacionamento entre sujeitos cognitivos, diante de um objeto de conhecimento.” (Maria Lucilene Pereira Dos Santos, 2016, Pag. 38)



            No trabalho de Monografia de Maria Lucilene Pereira dos Santos (2016) encontrei informações que comtemplaram os aspectos legais do tema como a Constituição de 1988 e a Declaração de Salamanca e também encontrei essa fala referindo-se a Freire. Essa fala me remeteu ao trabalho que desenvolvo com uma aluna SD onde ocorre muito dialogo na pratica  , reflexão constante do que foi positivo ou não, o que deve ser mais aprofundado e o que devo rever por outro ângulo.
Mas referindo ao trabalho de monografia, quando inserimos uma criança no contexto escolar é importante que ocorra a sua socialização, seu aprendizado e a sua formação pessoal. Como todo nos, seres humanos, a criança com SD possuímos certas habilidades e algumas dificuldades e, além disso, o aluno com SD apenas possui um ritmo de aprendizado mais lento que os demais, devido à síndrome. Mas não quero disser com isso que ela não aprenderá é certo que conforme ela for conhecendo esse mundo letrado seu vocabulário e aprendizagem será também ampliado principalmente se for respeitado o seu ritmo. Ver uma criança com SD aprender por pequenas ações, mas significativas, vale o esforço e o tempo desprendido para planejar e organizar etapas dessas ações pedagógicas.


Fontes Referência:
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988.

DECLARAÇÃO DE SALAMANCA Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais. Disponível em:

Monografia de Santos, Maria Lucilene Pereira Dos: A importância da alfabetização de crianças com Síndrome de Down: a inclusão para o ensino regular. Disponível em:  http://www.partes.com.br/2013/11/23/a-importancia-da-alfabetizacao-de-criancas-com-sindrome-de-down-a-inclusao-para-o-ensino-regular/











[1] SD – Síndrome de Down.