domingo, 26 de abril de 2015



Resultado de imagem para desenho sobre escola
Construindo aprendizagem juntos.


Minha História Profissional

Iniciei minha vida profissional como tia em uma creche particular.
Após um tempo, fui contratada como professora em uma escola infantil que trabalhava na linha construtivista. Foi o meu primeiro contato com uma realidade escolar mais estruturada, onde aconteciam reuniões semanais e estudava teóricos desta linha, planejando as ações e como os alunos seriam avaliados. Esta estrutura organizada possibilitou que eu me apropriasse da identidade de professora. Era importante sempre buscar referencias para embasar o trabalho pedagógico. Nesta escola tive o primeiro contato com um aluno NES. Era um menino autista. Por necessidade de como lidar com este aluno, busquei entender quais seriam suas necessidades e como poderia ajudar a sua socialização e como manejar com este aluno. Foi incrível observar alguns avanços nos dois anos de convivência.
Quando entrei na EMEI Parque dos Maias, a Rede Municipal tinha como Secretaria de Educação Esther Grossi que incentivou o trabalho com o construtivismo.
Nesta época era muito interessante observar nas reuniões pedagógicas as trocas e o quanto estava construindo no fazer pedagógico as linhas de ações com os alunos. A reunião pedagógica mensal acontecia na sexta-feira quando a escola fechava e o grupo de trabalho trocava ideias, observações do que acontecera e faziam o planejamento para o próximo período. Também realizavam combinações sobre as festas cíclicas onde todos deveriam contribuir com materiais e o que cada nível da escola, desde o berçário até o jardim B, deveriam elaborar com seus alunos.
Nos momentos, e foram muitos nesta caminhada, em que as escolas em que trabalhei e trabalho, parou para discutir o PPP, o Regimento Escolar foram muito importante pois participando destes momentos pude acrescentar mais experiências de aprendizagem. Em cada etapa buscava novas falas e embasamento teórico para validar estes documentos. Inclusive,na EMEI Érico Veríssimo quando elaboramos o currículo da escola foram necessários vários encontros onde em cada etapa avaliávamos se o currículo estava realmente caracterizando a comunidade com a qual trabalhávamos.
O que estes movimentos de parada para estudos contribuíram para minha prática profissional?
Muito, pois em cada movimento em que participei fui reavaliando minha prática em sala de aula e revendo que escola quero, o que desejo atingir com o aluno e o principal como pretendo auxiliar na aprendizagem do aluno.
A cada ano de trabalho na rede municipal, sempre tive turmas com alunos NES ou então turmas diferenciadas como BP e A30 onde os alunos estavam com idades distorcidas, mas que ainda não estavam alfabetizados.
Com turmas de progressão (BP), foram anos de intensa aprendizagem pois havia um sentimento de esconder estes alunos pois apresentavam dificuldades de aprendizagem e comportamental. A cada momento, pois em Bp o aluno pode entrar e ser encaminhado para outra turma durante o ano letivo, quando entravam novos alunos geralmente a prioridade era por comportamento ou seja, alunos que algumas colegas professoras não queriam em sua salas. Foi necessário provar após muito trabalho para a supervisão e direção da escola que estas turmas deveriam ter um olhar diferenciado e qual seria o objetivo da montagem da turma. É claro que o aluno que não esta alfabetizado apresenta dificuldades de comportamento e vice-versa. Embasei o meu trabalho, com estas turmas, em Paulo Freire, Rubens Alves e Moacir Gadotti.
Como os alunos tinham idades diferentes foi preciso pesquisar como trabalhar com tantos interesses diferentes. A maioria da turma já demonstrava interesse em trabalhar. Então considerando isto, elaborei com os alunos, e apoio total da direção e supervisão, um projeto onde eles deveriam elaborar como montar uma banca de vendas. O trabalho partir do objetivo do que desejam fazer, então elaboravam o que cada um sabia fazer e como poderiam fazer para alcançar o objetivo da turma. Foram necessárias várias intervenções para auxiliar a turma chegar em um censo comum. Estabelecemos montar no aniversário da escola uma banca de vendas de comidas e bebidas para a comunidade. Partindo dessa ideia, trabalhamos com receitas em sala usando a escrita e leitura, a matemática onde eles calculavam os custos e valor da venda de cada produto visando o lucro, a história envolvida no processo de produtividade da sociedade, a geografia era trabalhada na origem de cada produto usado e a origem de cada receita e em ciências trabalhávamos a necessidade da higiene no preparo dos alimentos.
No preparo das comidas eles dividiram a turma em grupos e cada um ficou responsável em elaborar a comida sob a minha supervisão. Eles também decidiram qual seria a função de cada um e a escala de trabalho no dia da festa. Com o dinheiro arrecadado a turma decidiu o que fariam. Neste ano fomos no cinema e compramos pipoca para cada aluno. Usamos ônibus de linha pagando a passagem de cada aluno. Ao término deste trabalho fiz uma avaliação com a supervisão do que foi aprendido pela turma e o que aprendi com o projeto. Foi interessante parar e avaliar pois pude perceber e registrar que houve um avanço na aprendizagem da turma no conhecimento e no afetivo. A turma no inicio não estava constituída como grupo era cada um por si e que após este trabalho estava muito visível para a escola que agora eles eram um grupo unido e conseguiam se enxergar pertencentes à escola. No decorrer dos outros anos continuamos a este trabalho, mas acrescentei o projeto de filmagem em sala após participar de um curso de cinema onde quatro alunos participaram comigo. O curso foi disponibilizado pela mantenedora para os professores da rede em 2007. Este projeto foi estruturado em parceria com os alunos do curso e os colegas de sala. Eles tinham a função de levar o que aprendiam e aplicar, sob minha supervisão, as mesmas atividades.
A turma também optou que estilo de filmagem realizariam e para isso pesquisamos os diferentes estilos desde documentário até um filme. No primeiro ano fizemos um documentário, no estilo sala de debates, sobre a escola. O roteiro foi escrito e registrado pelos alunos sendo corrigido em aula. A parte da filmagem foi estruturado, com seus diferentes focos, pela turma. Este trabalho envolveu, além da professora referencia, a professora de francês, a professora de educação física No ano seguinte, seguindo este processo, a turma optou por realizar um filme no estilo de Charle Chaplim após analisar diferentes estilos de filmes nacionais e internacionais e pesquisar sobre sobre sua vida e obra. Novamente este trabalho disponibilizou que os alunos trabalhassem a leitura, a escrita e a matemática de uma maneira lúdica e próxima aos seus interesses.
A turma criou o filme; “ As trapalhadas de um trapalhão na usina do Gasômetro.
Foram envolvidas neste trabalho as professora de arte, que montou com os alunos a capa do DVD, e língua estrangeira. Com este filme montei um projeto para participar do professor Excelência da rede e ganhei o terceiro lugar. Fomos comemorar a premiação em um restaurante, a conta foi paga com o dinheiro arrecadado com a banca da turma na festa da escola. No decorrer do tempo os alunos iam avançando em sua aprendizagens, mas acabavam ficando até o final do ano e com isso, mudamos a dinâmica de uma turma de progressão, para finalizarem o trabalho iniciado.
Com as turmas A30 o processo de deu de uma maneira lúdica, onde junto com o grupo de professores da turma buscávamos atividades diferentes para aprenderem o que não haviam conseguido em três ou quatro anos. Em das turmas de A30, tive uma aluna com retardo mental. Esta aluno novamente me obrigou a pesquisar como trabalhar com essa necessidade. Conversando com a supervisão da escola iniciei o trabalho partindo do nome da aluna e criei o saco das palavras conhecidas da aluna, palavras muito repetidas durante as aulas.Foi gratificante observar o crescimento desta aluna.
No final do Iº ano ela já identificava algumas palavras e escrevia o seu nome sem o uso do cartão. Na matemática já conseguia quantificar até três. No ano seguinte, optamos em deixar esta aluna no ano ciclo por visualizarmos possibilidades de avanço e a família solicitou que continuássemos o trabalho, a aluna terminou o ano lendo palavras simples e realizando contas simples de adição até 10 e contas simples de subtração.
Para registrar este trabalho foi elaborado em conjunto com todos os professores um Arquivo Biográfico da turma onde registramos a caminhada e arquivamos trabalhos de todos os trimestres.
É interessante parar agora e relembrar estas situações de aprendizagem, eu aprendi muito com meus alunos, onde como um planejamento consciente da realidade do aluno facilita a participação e envolvimento na sua aprendizagem.
Estas experiências diferentes me transformaram em uma professora desafiadora e inovadora pois aprendi que sempre devo observar meus alunos antes de buscar informações com suas professoras do ano anterior para não estabelecer um pré-conceito.
Além disso ao buscar novas possibilidades de trabalhos e respeitando o PPP da escola, pude construir ações pedagógicas que mudaram o meu olhar e a minha percepção de professora.

Atualmente em meu trabalho, sempre considero o perfil da turma e o que ela esta me falando de suas necessidades. Considero que como professora eu devo estar sempre me transformando junto com a turma buscando novos conceitos que vão auxiliar nesta transformação ou que no minimo possibilitem o acesso dos alunos a novas maneiras de aprender. Como cada aluno tem o seu tempo de aprendizagem e a sua maneira de aprender devo sempre considerar que vou avaliar o aluno por ele mesmo e como se deu o seu processo de aprendizagem.

Um comentário:

  1. Nossa! Que história bacana! Parabéns pela tua caminhada Mariangela! Continuo lendo tuas publicações. Bjs Betynha ;0)

    ResponderExcluir