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Na medida em que a criança não acompanha o “tempo” da sua turma, que é o
“tempo” imposto pela escola, ela é posta de “lado”. A criança se perde no
tempo, deixando de existir para a escola e para a professora como se o tempo
para ela parasse (SAMPAIO, 2002, p. 186-187).
Sampaio
em sua citação apresenta o tempo representado pelo aluno. Na escola, o tempo é
medido por sineta ou sirenes que determinam ao professor e ao aluno que aquela
aula terminou e que outra deverá iniciar ou que ambos devem trocar de espaço
(sala/refeitório; sala/pátio). O aluno nesse tempo espacial deve ater-se ao
fato que o seu tempo de aprendizagem no ano ciclo está passando e que sua
aprendizagem poderá ficar comprometida.
Mas,
e o professor?
Considerando
que atualmente esse profissional, em tempo real, deva cumprir com tantas
responsabilidades e obrigações, que despejam sobre seus ombros, que muitas
vezes sente que não haverá tempo para cumprir em sua carga horária as
atividades que devem ser cumpridas. Agora, se compararmos o professor com o
profissional de outra área, que tem a sua disposição momentos de reuniões aonde
pode reavaliar os passos e processos do seu trabalho e o quanto de tempo levou
para realizar o que lhe foi solicitado tendo com isso uma valorização por seu
desprendimento, o professor sente isolado, desvalorizado e esquecido nesse
turbilhão de questões a serem cumpridas que sempre se questiona que tempo ele
dispõem para desempenhar sua função. .
“Hora
relógio, hora tempo”. Essa expressão popular resumi muito claramente o que a
grande maioria dos professores sentem de que não há tempo suficiente para
ensinar o que o aluno necessita ou precisa aprender.
Hoje
a escola apresenta uma realidade já estabelecida e limitada por situações de
violência, novas mídias, distorção idade série, precarização do trabalho
docente, diferenças de níveis de formação entre os professores além de
professores estressados que assumem, muitas vezes, funções que não são suas. O
professor além de sofrer cobranças, comparações injustas e pressão a fim de que
cumpra com suas obrigações e de realizar atividades que devem preencher sua
carga horária mantém o seu cronograma
de ações pedagógicas. Mas infelizmente isso torna-se um movimento solitário
pois o que mais prejudica ou atravanca o uso pleno do tempo são as escassas
reuniões pedagógicas, pouca ou quase nenhuma troca de experiências ou angustias
que permeiam o dia a dia desse profissional.
Mesmo
sem conhecer a turma, o professor antecipa o planejamento, o trabalho a ser
desenvolvido, preparando cada uma de suas aulas, decidindo sobre o método a ser
utilizado para desenvolver cada conteúdo e escolhendo o material didático que
vai empregar como suporte, para realizar o seu trabalho de ensino. O tempo que
o professor aproveita para planejar suas aulas vai além do seu ambiente de
trabalho.
Neste panorama, o impacto causado por essas
questões do tempo provoca no professor, em alguns momentos, a necessidade de
mudança.
Nas o que mudar ou talvez o mais importante por que mudar?
Postado pelo dia 21/10/2016.
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