domingo, 25 de dezembro de 2016

[...] Na medida em que a criança não acompanha o “tempo” da sua turma, que é o “tempo” imposto pela escola, ela é posta de “lado”. A criança se perde no tempo, deixando de existir para a escola e para a professora como se o tempo para ela parasse (SAMPAIO, 2002, p. 186-187).


            Sampaio em sua citação apresenta o tempo representado pelo aluno. Na escola, o tempo é medido por sineta ou sirenes que determinam ao professor e ao aluno que aquela aula terminou e que outra deverá iniciar ou que ambos devem trocar de espaço (sala/refeitório; sala/pátio). O aluno nesse tempo espacial deve ater-se ao fato que o seu tempo de aprendizagem no ano ciclo está passando e que sua aprendizagem poderá ficar comprometida.
            Mas, e o professor?
      Considerando que atualmente esse profissional, em tempo real, deva cumprir com tantas responsabilidades e obrigações, que despejam sobre seus ombros, que muitas vezes sente que não haverá tempo para cumprir em sua carga horária as atividades que devem ser cumpridas. Agora, se compararmos o professor com o profissional de outra área, que tem a sua disposição momentos de reuniões aonde pode reavaliar os passos e processos do seu trabalho e o quanto de tempo levou para realizar o que lhe foi solicitado tendo com isso uma valorização por seu desprendimento, o professor sente isolado, desvalorizado e esquecido nesse turbilhão de questões a serem cumpridas que sempre se questiona que tempo ele dispõem para desempenhar sua função. .
    “Hora relógio, hora tempo”. Essa expressão popular resumi muito claramente o que a grande maioria dos professores sentem de que não há tempo suficiente para ensinar o que o aluno necessita ou precisa aprender.
      Hoje a escola apresenta uma realidade já estabelecida e limitada por situações de violência, novas mídias, distorção idade série, precarização do trabalho docente, diferenças de níveis de formação entre os professores além de professores estressados que assumem, muitas vezes, funções que não são suas. O professor além de sofrer cobranças, comparações injustas e pressão a fim de que cumpra com suas obrigações e de realizar atividades que devem preencher sua carga horária   mantém o seu cronograma de ações pedagógicas. Mas infelizmente isso torna-se um movimento solitário pois o que mais prejudica ou atravanca o uso pleno do tempo são as escassas reuniões pedagógicas, pouca ou quase nenhuma troca de experiências ou angustias que permeiam o dia a dia desse profissional.
     Mesmo sem conhecer a turma, o professor antecipa o planejamento, o trabalho a ser desenvolvido, preparando cada uma de suas aulas, decidindo sobre o método a ser utilizado para desenvolver cada conteúdo e escolhendo o material didático que vai empregar como suporte, para realizar o seu trabalho de ensino. O tempo que o professor aproveita para planejar suas aulas vai além do seu ambiente de trabalho.
       Neste panorama, o impacto causado por essas questões do tempo provoca no professor, em alguns momentos, a necessidade de mudança.
          Nas o que mudar ou talvez o mais importante por que mudar?
Postado pelo dia 21/10/2016.



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