“A identidade étnica,
Assim como a língua materna, é elemento de constituição da criança”. Diretrizes curriculares nacionais da Educação infantil – MEC, Brasil.
Vivemos
em um país em que uma maioria da população é composta por afrodescendentes.
Entre os demais, a maior parte são brancos miscigenados (pardos, mulatos,
sararas, outros conforme a nomenclatura popular).
Discutir
essas relações étnico-raciais que construíram esse país, logo, deveria ser uma
obrigação de todos os cidadãos, não importando sua origem ou etnia. Esses esforços
de promover discussões com os alunos e até mesma pela sociedade é para que não
apenas se somam na luta contra o racismo, como também na consolidação da
democracia, da promoção da cidadania e no reforço à igualdade social e racial. Considerando que a escola é um local onde ela também se torna um dos espaços
onde podemos e devemos trabalhar o movimento, a cultura e a história dos afrodescendentes
do Brasil.
De
acordo com Trinidad (2011), para trabalhar a diversidade étnico-racial com as
crianças, a família é primordial que os pais sejam informados sobre todas as
atividades que serão realizadas com as crianças, os objetivos e principalmente
a importância se sua participação, trazendo informações sobre a cultura que a
criança tem em casa, a formação e os hábitos familiares, suas atividades de
finais de semana seus rituais religiosos. Todas essas informações são ricas
para serem consideradas na prática pedagógica junto à criança.
Conversei com os pais a respeito do livro, Cabelo Maluco de Neil Gaiman e Dave McKean,
que usaríamos para fazer um link com o trabalho étnico racial para o mês de
novembro, ou seja, trabalharíamos os diferentes estilos de cabelos e que cada
cabelo pode ser diferente e fantástico ao mesmo tempo. O
objetivo do trabalho será de mostrar aos alunos que não há cabelo ruim, mas sim
diferente assim como são as pessoas.
O
livro conta a história por meio de rimas e é cheio de ilustrações muito legais,
com desenhos e cores tão malucos quantos muitos penteados por aí. Tudo começa
quando uma menina chamada Bonnie encontra um homem com cabelos que ela nunca
tinha visto antes.
Leia mais em:
Expliquei
aos pais que ao avaliar o uso desse livro em função das meninas da sala que
valorizam muito o seu cabelo cacheado deixando-o solto sem fazer chapinha ou
prendendo-o.
Após
a leitura da história, conversei com os alunos referentes ao tema do livro. Fizemos
o levantamento de quantas coisas e objetos havia dentro do cabelo do homem.
Perguntei se era possível haver um cabelo tão grande assim.
Aluno
1: Existe o cabelo da Rapunzel.
Aluno2:
Não existe homem com cabelo comprido.
Aluno
3: Minha mãe quando acorda o cabelo dela parece um ninho de passarinho assim
... (aluna representa o cabelo abrindo ambos os braços).
Aluno
4: Tem gente que deixa crescer o cabelo e depois vende. Minha tia faz isso.
Aluno1:
Tua tia é pobre?
Aluno
4: Não ela vende pras pessoas que não tem cabelo.
Aluno
2: Meu pai é careca e não compra cabelo.
Resolvi
interferir para explicar que algumas pessoas ficam carecas naturalmente e
outras os cabelos caem por doença ou por algum remédio que tomaram. Mas nem
todas gostam de comprar cabelo, peruca, preferem esperar o cabelo crescer ou
ficar sem o cabelo. Nesse momento decidi mostrar várias imagens, de diferentes
estilos de cabelo, que foram retiradas da internet.
Os alunos observaram que existem cores,
comprimentos e estilos diferentes de cabelo. Decidimos fazer uma sessão de transforme o seu cabelo, deixe-o maluco.









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