10/10/2018
– Quarta-feira
Hoje conheci três alunos do segmento
I da EJA. Os alunos eram Júnior, Eric e Adline. Todos haitianos. Como a aula
foi até o intervalo, 20h30min, optei em conversar com os alunos temas referente
a seus desejos, o que esperam da escola e do seu futuro no Brasil.
Os alunos foram chegando a partir
das 18h40min sendo que o aluno Júnior chegou às 19h30min em função de sua
atividade profissional, que descobri durante a conversa, que trabalha no
Mercado Público como auxiliar de limpeza.
Esse aluno demonstrou uma preocupação
quando a professora Lucimara apresentou-me como uma professora/estagiária que
ficará acompanhando-os por um período de tempo. Imediatamente após a fala da
professora, Júnior questionou onde a professora ficaria. A professora
tranquilizou o aluno que ela ficaria na sala de aula, que ela não os
abandonaria.
Freire
(1995, p.59) explana que o aluno da classe popular tem o direito de saber que
tem o direito de não somente saber, mas de conhecer o que lhe compete e como
preservar o que já se apropriou
Meu ponto de partida é que a classe trabalhadora tem dois
direitos, entre muitos outros, fundamentais. Primeiro, conhecer melhor o que
ela já conhece a partir da sua prática. Ninguém pode negar que a classe
trabalhadora tem um saber. Pois bem, é para conhecer melhor este seu saber que
o intelectual revolucionário pode colaborar. Uma das tarefas do intelectual
revolucionário é exatamente esta: a de possibilitar, através do desafio, da
colaboração, da não-possessão do método, mas da comunhão do método com a classe
trabalhadora, possibilitar que ela reveja ou reconheça o que já conhece.
Com essa
fala, o aluno demonstrou o seu receio em relação ao desconhecido e a sua insegurança de “perder” a
professora que, usando as próprias palavras do aluno “Nós tratou com muito carinho
e respeito”. Reconheci na fala do aluno,
medo de não saber como eu lidaria com suas dificuldades de aprendizagem e
emocionais.
Referência:
Gadotti, Moacir, Freire,
Paulo e Guimarães, Sergio. Pedagogia: diálogo e conflito/ 4ªed.SãoPaulo:
Cortez, 1995.
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