sexta-feira, 12 de outubro de 2018


10/10/2018 – Quarta-feira


       Hoje conheci três alunos do segmento I da EJA. Os alunos eram Júnior, Eric e Adline. Todos haitianos. Como a aula foi até o intervalo, 20h30min, optei em conversar com os alunos temas referente a seus desejos, o que esperam da escola e do seu futuro no Brasil.
        Os alunos foram chegando a partir das 18h40min sendo que o aluno Júnior chegou às 19h30min em função de sua atividade profissional, que descobri durante a conversa, que trabalha no Mercado Público como auxiliar de limpeza.
      Esse aluno demonstrou uma preocupação quando a professora Lucimara apresentou-me como uma professora/estagiária que ficará acompanhando-os por um período de tempo. Imediatamente após a fala da professora, Júnior questionou onde a professora ficaria. A professora tranquilizou o aluno que ela ficaria na sala de aula, que ela não os abandonaria.
       Freire (1995, p.59) explana que o aluno da classe popular tem o direito de saber que tem o direito de não somente saber, mas de conhecer o que lhe compete e como preservar o que já se apropriou


Meu ponto de partida é que a classe trabalhadora tem dois direitos, entre muitos outros, fundamentais. Primeiro, conhecer melhor o que ela já conhece a partir da sua prática. Ninguém pode negar que a classe trabalhadora tem um saber. Pois bem, é para conhecer melhor este seu saber que o intelectual revolucionário pode colaborar. Uma das tarefas do intelectual revolucionário é exatamente esta: a de possibilitar, através do desafio, da colaboração, da não-possessão do método, mas da comunhão do método com a classe trabalhadora, possibilitar que ela reveja ou reconheça o que já conhece.


Com essa fala, o aluno demonstrou o seu receio em relação ao desconhecido e a sua insegurança de “perder” a professora que, usando as próprias palavras do aluno “Nós tratou com muito carinho e respeito”.  Reconheci na fala do aluno, medo de não saber como eu lidaria com suas dificuldades de aprendizagem e emocionais.

Referência:
Gadotti, Moacir, Freire, Paulo e Guimarães, Sergio. Pedagogia: diálogo e conflito/ 4ªed.SãoPaulo: Cortez, 1995.

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